Nicolas Roerich
"Burning of the Darkness"

 

 

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[
O Significado da Grande Invocação ]
 

 

A beleza e a força desta Invocação repousam em sua simplicidade e na expressão de certas verdades centrais, as quais todos os homens aceitam, inata e normalmente – a verdade da existência de uma inteligência básica a Quem vagamente chamamos de Deus; a verdade de que por trás de toda aparência exterior, o poder motivador do universo é o Amor; a verdade de  que uma grande Individualidade, chamada Cristo pelos cristãos, veio à terra e encarnou aquele amor de modo que o pudéssemos entender; a verdade de que tanto o amor como a inteligência são efeitos do que é chamado a Vontade de Deus; finalmente, a verdade autoevidente de que somente através da própria humanidade é possível desenvolver o Plano divino.

Toda esta Invocação se refere ao iminente, influente e revelador reservatório de energia, causa imediata de todos os acontecimentos na terra que indicam a emergência daquilo que é novo e melhor; esses acontecimentos demonstram a progressão da consciência em direção à luz maior.

O apelo invocativo habitual tem sido até agora egoísta em sua natureza e temporário em sua formulação. Os homens têm orado para si próprios; têm invocado a ajuda divina para os que amam; têm dado uma interpretação material às suas necessidades básicas. Esta invocação é uma oração mundial; ela não tem qualquer apelo pessoal, nem anseio invocativo momentâneo; expressa a necessidade da humanidade e supera todas as dificuldades, dúvidas e questionamentos, chegando diretamente à Mente e ao Coração D'Aquele em Quem vivemos, nos movemos e temos o nosso ser; Aquele Que permanecerá conosco até o final dos tempos e "até que o último cansado peregrino tenha encontrado o caminho de volta para casa".

 
 



 

Nas primeiras três linhas temos a referência à Mente de Deus como um ponto focal para a luz divina. Refere-se à alma de todas as coisas. O termo alma, com o principal atributo de esclarecimento, inclui a alma humana e aquele ponto de consumação de luz que nós consideramos como a "ofuscante" alma da humanidade. Aquela alma traz luz e irradia iluminação. Ela é necessária sempre, para lembrar que a luz é energia ativa.

Quando invocamos a Mente de Deus e dizemos: "Que aflua luz às mentes dos homens, que a Luz desça à Terra", estamos dando voz a uma das grandes necessidades da humanidade e, se a invocação e a prece encerram realmente um significado, a resposta é certa e segura. Quando todas as pessoas, a todo momento, em todas as circunstâncias e em todas as épocas sentem a necessidade de implorar a um Centro espiritual invisível, há a certeza segura de que o centro existe. A Invocação é tão antiga quanto a própria humanidade.

O Cristo nos disse que os homens "amam as trevas em vez da luz, porque seus atos são maus". Contudo, uma das grandes belezas emergentes no tempo atual é que a luz está sendo lançada em todo lugar escuro, e nada há oculto que não venha a ser revelado. As pessoas reconhecem a presente trava e miséria e, consequentemente, saúdam a luz. A iluminação da mente dos homens, de modo a que eles possam ver as coisas como são, pode alcançar motivos corretos e o meio de alcançar corretas relações humanas é agora uma necessidade capital. Na luz que a iluminação traz, veremos, finalmente, a luz, e dia virá em que milhares de filhos dos homens e incontáveis grupos serão capazes de dizer com Hermes e com o Cristo: "Eu sou (ou nós somos) a luz do mundo”.

 


 

As três linhas da segunda estrofe fazem referência ao Coração de Deus, o ponto focal do amor. Este "coração" do mundo manifestado é a Hierarquia espiritual, o grande agente transmissor de amor a todas as formas da manifestação divina.

O Amor é uma energia que deve chegar aos corações dos homens e fecundar a humanidade com a qualidade da compreensão amorosa; isso é o que é expresso quando o amor e a inteligência se unem.

Quando os discípulos estiverem agindo realmente em nome do Cristo, virá então o tempo em que Ele poderá novamente caminhar no meio dos homens de maneira pública. Ele poderá ser publicamente identificado e assim fazer Seu trabalho nos níveis exteriores da vida, assim como no interior. O Cristo, ao se despedir dos Seus discípulos,  disse: "Estarei com vocês sempre, até o fim dos dias".

Quando o Cristo vier, haverá um grande florescimento da consciência crística, uma enorme reação contra a potência do ódio. O ódio, a separatividade e a exclusão serão considerados o único pecado, pois se reconhecerá que o que denominamos pecados derivam do ódio ou da sua consequência, a consciência antisocial. Segundo, inúmeros homens e mulheres, de todos os países, se unirão em grupos para promover a boa vontade e estabelecer corretas relações humanas. Serão em um número tão grande que de uma minoria pequena e relativamente pouco importante, se transformará na maior e mais influente força do mundo.
 

 


 

Nas três linhas da terceira estrofe temos uma oração para que a vontade humana possa estar de acordo com a vontade divina, embora não seja compreendida. Estas três linhas indicam que a humanidade não pode ainda captar o propósito de Deus, o aspecto da vontade divina que busca expressão imediata na terra.

Como o propósito da Vontade de Deus procura exercer influência sobre a vontade humana, sem dúvida se expressa em termos humanos de boa vontade e vivente determinação ou firme intenção de estabelecer corretas relações humanas.

 

 

 

 

A vontade divina, tal como é essencialmente, ainda é o grande mistério. O próprio Cristo lutou com o problema da vontade divina e dirigiu-Se ao Pai, quando pela primeira vez Ele se conscientizou da extensão e da complexidade de Sua missão como salvador mundial. Ele então bradou alto: "Pai, não a minha vontade, mas a Tua seja feita". Essas palavras marcaram o abandono dos meios através dos quais Ele estivera tentando salvar a humanidade; isso Lhe indicava o que poderia àquele tempo, ter parecido um fracasso e que Sua missão não estava cumprida. Por dois mil anos Ele tem esperado para ver frutificar aquela missão. Ele não pode prosseguir com Sua missão sem uma ação recíproca da humanidade.

Essa Invocação é peculiar e essencialmente, o Próprio Mantra do Cristo. Seu "som ecoou" para o mundo inteiro por intermédio da enunciação por Ele e através do seu uso pela Hierarquia espiritual. Agora suas palavras devem se espalhar pelo mundo inteiro através da enunciação pelos homens de todas as partes e seu significado deve ser expresso pelas massas no devido tempo. Então o Cristo poderá novamente "descer à terra" e "ver a obra de sua alma e ficar satisfeito”.
 

 


 

No quarto grupo de três linhas, tendo invocado os três aspectos ou potências da Mente, Amor e Vontade, temos a indicação da ancoragem de todos esses poderes na própria humanidade, no "centro a que chamamos raça dos homens". Aqui, e somente aqui, podem todas as três qualidades divinas – em tempo e espaço – expressar-se e encontrar plena realização; aqui, e somente aqui, pode o amor verdadeiramente nascer, a inteligência corretamente funcionar e a Vontade de Deus demonstrar sua efetiva vontade-para-o-bem. Pela humanidade, só e sem ajuda (exceto pelo divino espírito em todo ser humano), pode ser selada a "porta onde mora o mal”.

A última linha da quarta estrofe talvez precise de explicação. Esta é uma maneira simbólica de expressar a ideia de tornar os propósitos maus tanto inativos quanto ineficazes. Não há localização particular para o mal. No Livro das Revelações, o Novo Testamento fala do mal e da destruição do diabo e de tornar Satã impotente. 

A "porta onde mora o mal" é mantida aberta pela humanidade através dos seus desejos egoístas, ódios e separatividade, pela cobiça e barreiras raciais e nacionais, as baixas ambições pessoais e o amor pelo poder e crueldade. À medida que a boa vontade e a luz fluírem nas mentes e corações humanos, essas más qualidades e energias dirigidas que mantêm aberta a porta do mal darão lugar ao anseio por corretas relações humanas, a uma determinação para criar um mundo melhor e mais pacífico e a uma expressão mundial da vontade-para-o-bem. À proporção que essas qualidades se sobreponham às velhas e indesejáveis, a porta onde mora o mal simbolicamente será fechada, aos poucos, pelo simples peso da opinião pública e pelo correto desejo humano. Nada pode impedi-lo.

Assim o Plano original será restaurado na terra. Simultaneamente, a porta para o mundo da realidade espiritual se abrirá diante da humanidade e a porta onde mora o mal será fechada. Através do "centro a que chamamos raça dos homens", o Plano de Amor e Luz será restabelecido e aplicará o golpe mortal no mal, no egoísmo e na separatividade, selando-os na tumba da morte para sempre; e o propósito do Criador de todas as coisas será cumprido.
 
 


 

É evidente que as três primeiras estrofes ou versículos invocam ou apelam, para os três aspectos da vida divina que são universalmente reconhecidos: a mente de Deus, o amor de Deus e a vontade ou o propósito de Deus; a quarta estrofe indica a relação da humanidade com essas três energias de inteligência, amor e vontade e a profunda responsabilidade da humanidade de implementar a difusão do amor e luz na terra para restaurar o Plano. Este Plano convoca a humanidade para a expressão do Amor e desafia os homens para "deixarem sua luz brilhar". Vem então a solicitação solene final para que este "Plano de Amor e Luz", atuando através da humanidade, possa "selar a porta onde mora o mal".

A última linha contém a ideia da restauração, indicando a nota-chave para o futuro e que dia virá no qual a ideia original de Deus e Sua intenção inicial não mais serão frustradas pelo mal e pelo livre arbítrio humanos, pelo puro materialismo e egoísmo; o propósito divino será então cumprido, através dos corações e dos objetivos renovados da humanidade.

Fonte: "A Grande Invocação - Uso e significado".

 

 

 

 



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A Grande Invocação é uma oração mundial; ela não tem qualquer apelo pessoal, nem anseio invocativo momentâneo; expressa a necessidade da humanidade e supera todas as dificuldades, dúvidas e questionamentos, chegando diretamente à Mente e ao Coração D'Aquele em Quem vivemos, nos movemos e temos o nosso ser; Aquele Que permanecerá conosco até o final dos tempos e "até que o último cansado peregrino tenha encontrado o caminho de volta para casa".                                                                                                          

                                                                                                                                 Alice Bailey
 

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